A arrogância acadêmicaA Ciência nasce no século XVIII com o objetivo declarado de lançar luz sobre a realidade do mundo e da vida. Nasce para rejeitar a explicação mitológica, dogmática e fantasiosa das coisas. A Ciência se pretende portadora da Razão para a finalidade do esclarecimento em benefício da humanidade.
O chamado conhecimento científico - ao contrário do dogma e do mito - deveria ter como principal característica a busca da isenção e a eterna desconfiança da verdade humana. Uma verdade sempre provisória, segundo a própria Ciência.
As instituições universitárias modernas se pretendem filhas diretas da Ciência. Mas, em pleno século XXI, as universidades parecem se cercar de dogmas que nada devem às piores crendices da Idade Média.
Alguns portadores de títulos acadêmicos se acreditam, por exemplo, superiores ao restante da humanidade. O conhecimento que supostamente os títulos representam deveriam esclarecer principalmente a ignorância de seus titulares. Deveriam torná-los mais humildes, mais abertos e mais atentos em relação às demais pessoas.
Mas, ao contrário, muitos doutores se crêem de uma espécie diferenciada, mais importante do que aquela outra que não possui um insignificante pedaço de papel onde alguém escreveu que se trata de um título de doutorado. A cegueira desta grosseira ilusão os impede de enxergar a própria mediocridade. A elevada convicção de que se sabe muito é o mais evidente sinal da sua idiotice.
"...aquilo que pensamos saber é parte - e parte ínfima - da nossa ignorância"
(Montaigne)
"Na verdade só sabemos quão pouco sabemos - com o saber cresce a dúvida"
(Goethe)
Nada é mais presunçoso do que a ignorância ligada à convicção de que se possui ciência".
(Erasmus de Rotterdam)