Se você tem medo, motivos não faltam. Milhões de crianças e jovens são torturados todos os anos nas escolas com sistemas de provas e exames feitos para aterrorizar, para amedrontar, para punir, para reprovar e excluir o aluno da escola. São sistemas de avaliação cuja única finalidade é a de classificar as pessoas, reforçando o preconceito e o estereótipo, com rótulos que vão do mau aluno ao vagabundo.
O aprendizado de qualquer estudante tem, no mínimo, dois responsáveis: o professor e o próprio aluno. O aprendizado do aluno é indissociável do ensino do professor. Se não houve ensino, não há aprendizado. Quando um aluno vai mal da prova, portanto, isso pode ser culpa do professor ou da escola. Mas é raro um professor ou uma escola reconhecer isso. A arrogância e a prepotência não enxergam erros no ensino.
Mas o pior é que grande parte das provas sequer avalia o conhecimento do aluno. Elas apenas exigem que o aluno diga o que o professor quer que ele diga. Só isso. Ou seja, não serve para nada.
E ainda tem gente que se surpreende com "maus alunos" que acabam desenvolvendo uma bela carreira profissional e com "bons alunos" que se tornam profissionais medíocres. Não deveria surpreender, pois quem disse que um é bom e o outro é ruim foi um sistema de provas que não avaliou nada. As provas escolares não captam as qualidades do "mau aluno".
Por isso alguns professores como Jussara Hoffmann, Maria Helena Souza Patto e o suíço Philippe Perrenoud defendem o fim desse tipo de avaliação inútil, classificatória e excludente. Sugerem uma outra avaliação: aquela que se presta exclusivamente ao aprendizado do aluno e à reflexão do professor sobre a eficiência do seu ensino.
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